Poema dos extremos
Nada será como antes,
Tudo ficará para trás.
Lembranças, imagens constantes,
Nenhum disfarce mais me satisfaz.
O tempo se esvaece,
Verdades sobrepõem mentiras.
Meu coração, agora em tiras,
Perde o sentimento, desaparece.
Desaparece como meu nome na areia,
Apagado pelas ondas revoltosas.
Desaparece, assim como a poeira,
Levada pelo vento de uma noite viçosa.
O brilho da lua
Ofusca o reluzir de meus olhos
Que ao ver a lágrima tua
Afogam-se em si, tornam-se chorosos.
Depois me invade a calma.
Secam-se as lágrimas,
Cessam-se os soluços,
Torna-se vagarosa a respiração.
E tudo recomeça.
Meu coração, como palpitando,
Junta os pedaços e se reconstrói.
Agora, de novo como um,
Bate por dois.
Relembra o passado,
Presente que se vai.
E pensa no futuro,
Que grita dentro de nós: ai, ai...